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USO DO CURATIVO DE ALGINATO DE CÁLCIO E SÓDIO EM ÚLCERA VENOSA: RELATO DE CASO

USE THE HEALING OF CALCIUM AND SODIUM ALGINATE IN VENOUS ULCER: CASE REPORT
  • Beatriz Guitton Renaud Baptista de Oliveira
  • Alcione Matos de Abreu
  • Valeria Cristina da Costa Rosa
  • Angélica da Costa Rosa
  • Lennon Driqui Coelho da Conceição

RESUMO

OBJETIVO: Relatar a experiência do uso do Alginato de Cálcio e Sódio para o tratamento de úlcera venosa crônica. METODOLOGIA: Trata-se de um relato de caso, realizado em um Hospital Universitário do município do Rio de Janeiro. Utilizou-se para a avaliação os seguintes desfechos: crescimento de tecido de epitelização nas bordas da ferida; redução da produção de exsudato e melhoria da dor. RESULTADOS: A úlcera venosa, o tratamento com Alginato de Cálcio e Sódio apresentou tecido de epitelização nas bordas, leito com tecido de granulação e redução do exsudato e do edema nas pernas. Apresentou melhora na qualidade de vida com diminuição da dor. CONCLUSÃO: Conclui-se que o uso de um produto tópico adequado ao tipo da ferida, aliado ao contínuo acompanhamento ambulatorial traz benefícios ao estado clínico do paciente.

Descritores: Úlcera varicosa. Alginatos. Enfermagem.


SUMMARY - OBJECTIVE: To report our experience with the use of Calcium and Sodium Alginate for the treatment of chronic venous ulcers. METHODOLOGY: This is a case report, conducted in a university hospital in the city of Rio de Janeiro. It was used to evaluate the following outcomes: growth of tissue in the epithelialization of the wound edges, reducing the production of exudate and pain improvement. RESULTS: The venous ulcer treatment with Calcium and Sodium alginate showed the epithelialization tissue edges, bed with granulation tissue and reduced exudate and edema in the legs. Showed improvement in quality of life with pain reduction. CONCLUSION: We conclude that the use of an appropriate type of wound topical product, combined with a continued outpatient treatment benefits the patient's clinical status.

Keywords: Varicose ulcer. Alginates. Nursing.

INTRODUÇÃO

A insuficiência venosa crônica (IVC) é ocasionada por uma hipertensão venosa de longa evolução, podendo ser causada pela insuficiência valvular e ou obstrução venosa.(1) As alterações teciduais geradas são: edema, lipodermatoesclerose, atrofia branca, hiperpigmentação, eczema venoso e a úlcera venosa. (1,2)

Na maioria dos casos, ao exame físico observa-se a presença da úlcera venosa na região maleolar, com bordas irregulares, podendo apresentar tamanhos variados, abrangendo desde pequenas áreas a circunferência total da perna. Elas tendem a ser mais superficiais quando comparadas a profundidades das outras etiologias de úlceras, apresentam tecido de granulação no leito e produzem de média a grande quantidade de exsudado. (1,2,3).

No tratamento das úlceras venosas com média e alta exsudação é indicada além da terapia compressiva a realização de curativos com produtos altamente absorventes, como é o caso do Alginato de Cálcio e Sódio.(1,3,4)

O Alginato de Cálcio e Sódio é constituído por fibras extraídas de águas marinhas marrons, compostas pelos Ácidos Guluronico e Manuronico, apresentando íons Cálcio e Sódio incorporados. Sua estrutura é alterada à medida que reage com o exsudado da ferida, que passa de fibrosa para gel transparente hidrofílico e não aderente, que proporcionará no leito da ferida um meio úmido, propicio para a cicatrização.(1,3,4,5)

Apresenta como principal contra indicação, o uso em lesões superficiais com pouca ou nenhuma exsudação e em queimaduras. Para utilizar o Alginato, deve-se remover primeiramente o exsudato e o tecido desvitalizado da ferida, modelar o produto no leito da ferida umedecendo-o com solução fisiológica. Destaca-se que é muito importante não deixar que o produto ultrapasse a borda da ferida.6

A relevância desse estudo está na indicação do Alginato de Cálcio para o tratamento de úlceras venosas com produção de exsudação moderada à grande, considerando que suas principais vantagens são o elevado poder de absorção e o estimulo para o crescimento de tecido de granulação(6).

Objetivo: Relatar a experiência do uso do Alginato de Cálcio e Sódio para o tratamento de úlcera venosa crônica.

MÉTODOS

Trata-se de um relato de caso, realizado no Ambulatório de Reparo de Feridas do Hospital Universitário Antonio Pedro (HUAP)/ Niterói/ RJ, de junho a julho de 2011, com paciente do sexo feminino, de 86 anos, hipertensa e diabética, com úlcera venosa de grande extensão e reincidente, localizada no terço inferior do membro inferior direito, em uso de Alginato de Cálcio e Sódio, com periodicidade de troca duas vezes por semana

A redução do tamanho da úlcera foi avaliada a partir da observação do crescimento de tecido de epitelização nas bordas da úlcera venosa, principalmente as superiores.

Este relato de caso faz parte do projeto de pesquisa “Avaliação clínica e morfológica de úlceras cutâneas em cicatrização” e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense com número: 194/06 em 10/11/2006.

Resultados- Evolução de Enfermagem em 13/06/2011- Início do tratamento com Alginato de Cálcio e Sódio

Paciente apresenta úlcera venosa circular em terço inferior da perna direita. Queixa-se de dor moderada a intensa e prurido intenso ao redor da ferida. Ao exame físico apresenta PA=170X100 mmHg; pele adjacente à ferida com lipodermatoesclerose, ressecada, com eczema e varicosidades. Edema nos membros inferiores graduados em 3+/4+. Úlcera venosa circular, com profundidade parcial, bordas irregulares e maceradas, sem odor fétido, com excessiva produção de exsudado sero-sanguinolento. Leito com tecido de granulação e pequenas áreas de esfacelo. Realizada limpeza do leito e das bordas da úlcera com soro fisiológico à 0,9%, secado o excesso de soro somente ao redor da ferida e iniciado o uso do Alginato de Cálcio e Sódio. O curativo secundário foi realizado com compressa de gaze estéril e fixado com atadura de crepom em espiral. Hidratação da pele da perna adjacente à ferida com creme de uréia à 10% Não foi utilizada a terapia compressiva considerando que a paciente era diabética e apresentava diminuição da sensibilidade nos membros inferiores. Orientada quanto aos cuidados domiciliares em relação ao curativo: proteger o curativo durante o banho para não molhar; trocar diariamente o curativo secundário para evitar possíveis infecções e odores desagradáveis na ferida; realizar repouso e elevar as pernas de 3 a 4 vezes ao dia acima do nível do coração durante 15 a 20 minutos; não “coçar” a ferida para evitar novas lesões. Foi orientada também acerca da importância de controlar os níveis da pressão arterial e glicemia dentro dos padrões normais do Ministério da Saúde, através do uso correto dos medicamentos prescritos, da dieta hipossódica e hiperglicêmica e da importância da realização de exercícios regulares, como a caminhada.

Última Evolução de Enfermagem realizada em 25/07/2011

Depois do tratamento regular da úlcera venosa com Alginato de Cálcio e Sódio, a paciente mencionou ausência de dor no local da ferida, negou uso de analgésico há mais de um mês e diminuição significativa do prurido. Observou-se melhora na marcha e redução do edema para 1+/4+. A úlcera apresentou leito com tecido de granulação, bordas com tecido de epitelização e diminuição da produção de exsudado seroso.

A paciente relatou melhora da qualidade de vida após o inicio do uso do Alginato de Cálcio e Sódio em decorrência da diminuição da produção de exsudado da ferida, que anteriormente era excessivo, fazendo com que ela trocasse o curativo secundário mais de três vezes ao dia, a fim de evitar o odor fétido.

DISCUSSÃO

O uso do Alginato de Cálcio e Sódio no tratamento das úlceras venosas muito exsudativas, aliado ao acompanhamento ambulatorial periódico, resultou na melhora do processo de cicatrização, com o surgimento de tecido de granulação no leito, crescimento de epitelização nas bordas e diminuição do exsudado. Além da diminuição da dor e do edema nos membros inferiores.

Realizou-se uma busca sistemática na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) utilizando os descritores alginatos e curativos, e descobriu-se o uso ampliado do Alginato de Cálcio, em ulceras por compressão e em hidradenite supurativa, com intuito de estimular a absorção do exsudato e tratar as cavidades e realizar hemostasia das úlceras.(7,8)

Considera-se que o processo de reparo tecidual seja complexo e que depende diretamente tanto de fatores externos como o tempo de evolução, extensão e profundidade da úlcera venosa quanto de fatores internos tais quais as doenças crônicas de base, a idade avançada entre outros. As doenças crônicas como a Hipertensão Arterial, Diabetes Mellitus,Anemia Falciforme quando associadas à Insuficiência venosa Crônica dificultam consideravelmente o reparo tecidual.(9,10)

CONCLUSÃO

O uso do Alginato de Cálcio e Sódio, aliado ao cuidado ambulatorial periódico de enfermagem, resultou na melhora do processo de cicatrização da úlcera venosa, com aumento de tecido de granulação e epitelização. A diminuição do exsudado, edema e dor contribuíram para a melhoria da qualidade de vida da paciente.

As úlceras venosas são lesões crônicas, com recidivas frequentes e respostas terapêuticas variadas, cabe ao enfermeiro realizar a assistência voltada tanto para o tratamento das feridas já instaladas quanto para a prevenção de novas feridas ou recidivas. Outro fator relevante é a orientação de enfermagem quanto a prevenção das complicações das doenças de base, como a Insuficiência Venosa Crônica e Diabetes Mellitus.

Referências

1-Maffei FHA, editor. Insuficiência venosa crônica: conceito, prevalência etiopatogênia e fisiopatologia. In: MAFFEI, F. H. A. et al. Doenças vasculares periféricas. 4. ed. Rio de janeiro: Medsi, 2008. v.2.
2-Abbade LPF. Diagnósticos diferenciais de úlceras crônicas em membros inferiores, in Malagutti, W. (org). Curativo, ostomias e dermatologia: uma abordagem multiprofissional. São Paulo: Martinari, 2010.
4-Sasseron MGM. Atualidades em curativos oclusivos e semioclusivos, in, Malagutti, W. (org). Curativo, ostomias e dermatologia: uma abordagem multiprofissional. São Paulo: Martinari, 2010.
5-Dealey C. Cuidando de feridas: um guia prático para as enfermeiras. 3ª ed. São Paulo: Atheneu; 2008.
6- Franco D, Gonçalves LF. Feridas cutâneas: a escolha do curativo adequado. Rev Col Bras Cir. [periódico na Internet] 2008; 35(3). Disponível em URL: http://www.scielo.br/rcbc
7- Borges, EL; Castro, BFL de; Souza, RL de; Lima, VLN. O enfermeiro frente ao paciente com lesão por hidradenite: relato de experiência Nursing (Säo Paulo); 8(88): 437-442, set. 2005.
8- Rosa TJS, Cintra LKL, Freitas KB, Alcântara PFDL, Spacassassi F, Rosa CDP, et al. Ulceras por pressão: tratamento. Acta Fisiatr. 2013;20(2):106-111.
9-Abreu AM, Oliveira BRB, Manarte JJ. Treatment of venous ulcers with an unna boot: a case study. Online Braz J Nurs [Internet]. 2013 [citado 2013 ago 03]; 12 (1):198-208. Disponível em: http://www.objnursing.uff. br/index.php/nursing/article/view/3845
10-Oliveira BGRB, Nogueira GA, Carvalho MR, Abreu AM. Caracterização dos pacientes com úlcera venosa acompanhados no Ambulatório de Reparo de Feridas. Rev Eletrônica Enferm [Internet]. 2011 [citado 2013 ago 03]; 14(1):156-63. Disponível em: http://www.fen. ufg.br/revista/v14/n1/pdf/v14n1a18.pdf.