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Avaliação da atividade antimicrobiana de Tabebuia roseo-alba (Ridl.) Sand (Ipê branco)

Evaluation of antimicrobial activity of Tabebuia roseo-alba (Ridl.) Sand (Ipê branco)
  • Jeferson Caetano Silva
  • Raíssa Fernanda Evangelista Pires dos Santos
  • Kátia Mayumi Takarabe Caffaro
  • Regina Célia Sales Santos Veríssimo
  • Thais Honório Lins Bernardo
  • João Xavier de Araújo - Júnior
  • Eliane Aparecida Campesatto
  • Maria Lysete de Assis Bastos

RESUMO

RESUMO:A enfermagem necessita intensificar sua participação na pesquisa básica experimental aliando o conhecimento popular relacionado às plantas medicinais na terapêutica de feridas infectadas à comprovação científica. Este estudo trata-se de uma pesquisa experimental in vitro que investigou o potencial antimicrobiano da espécie vegetal Tabebuia roseo-alba, na perspectiva do controle de infecção. As amostras testadas demonstraram moderada atividade antimicrobiana em quatro dos oito microrganismos avaliados no teste de perfuração em Ágar. Três delas Gram-positivas: S. aureus, S. epidermidis, E. feacalis; e uma Gram-negativa: K. pneumoniae. Este estudo releva a ampliação da visão em saúde da enfermagem como forma de promover a inovação tecnológica na terapêutica de feridas infectadas, baseado na realização de pesquisas experimentais, promovendo a incorporação de novos conhecimentos, saberes e procedimentos para a ciência da enfermagem.

Descritores: Tabebuia roseo-alba; Atividade Antimicrobiana; Plantas Medicinais.


SUMMARY - Nursing needs to intensify its participation in basic experimental research combining the popular knowledge related to medicinal plants in the treatment of infected wounds to the scientific evidence. This study deals with an experimental study that investigated the in vitro antimicrobial potential of plant species Tabebuia roseo-alba, from the perspective of infection control. The tested samples showed moderate antimicrobial activity in four of the eight microorganisms evaluated in the drilling test Agar. Three of these Gram-positive: S. aureus, S. epidermidis, E. feacalis; and a Gram-negative: K. pneumoniae. This study highlights the expanded perspective on health nursing as a way to promote technological innovation in the treatment of infected wounds, based on the conduct of experimental research, promoting the incorporation of new skills, knowledge and procedures for nursing science.

Key words: Tabebuia roseo-alba; Antimicrobial Activity; Medicinal Plants.

INTRODUÇÃO

O uso de produtos naturais iniciou-se há milhares de anos por diversas civilizações, com o intuito de tratar diferentes patologias, dentre elas, as doenças infecciosas. Essa relação da humanidade com as plantas é tão antiga quanto a sua própria existência. Sendo assim, as propriedades antimicrobianas de substâncias presentes em extratos e óleos essenciais produzidos pelas plantas são reconhecidas empiricamente há séculos. No Brasil, por exemplo, o uso das plantas medicinais em diversos tratamentos foi disseminado principalmente pela cultura indígena, e alguns deles são vigentes até os dias atuais1.

O aumento da incidência de infecções envolvendo a pele e mucosas, na população é um fato conhecido pelos profissionais de saúde e tem proporcionado várias discussões sobre o assunto. É importante destacar que a perda de integridade da pele produz, então, significantes consequências para o indivíduo e para os serviços de saúde. Pois, além de constituírem uma porta de entrada para a infecção, dificultam a recuperação, aumentam a dependência pelos cuidados de enfermagem e, consequentemente, os custos, contribuindo para o aumento da taxa de mortalidade em algumas clientelas2.

A enfermagem é uma área intrinsecamente relacionada ao tratamento de feridas, estando completamente apta e envolvida nesta temática, seja com a assistência direta, fazendo parte do seu domínio de práticas de cuidados, como também indireta, com a aplicação da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE). Ambos necessitam de suporte terapêutico e conhecimentos específicos2.

A demanda por terapêuticas para o tratamento destas afecções é crescente, e as indústrias farmacêuticas produzem e desenvolvem uma variedade de antibióticos. Porém, além de onerosa, esta terapêutica traz inúmeros efeitos colaterais, relação custo-benefício por vezes insatisfatória e em muitos relatos a presença da resistência microbiana, sendo uma das principais razões pelo insucesso para tratar pacientes com infecções resistentes, tornando-se impossível prever como os microrganismos irão responder as novas drogas antimicrobianas no futuro3.

Em virtude disto, o enfermeiro também deve atuar na busca por novas opções terapêuticas, numa perspectiva multidisciplinar, maximizando sua atuação com vistas a tratamentos alternativos que agreguem baixo custo e ausência de efeitos colaterais. Para isso, a enfermagem necessita intensificar sua inserção na área de pesquisas básicas do tipo experimental, buscando na natureza produtos que possam ser utilizados com esta finalidade, uma vez que são poucos os trabalhos que correlacionam o tratamento de feridas infectadas com o uso de fitoterápicos.

O Núcleo de Pesquisa e Inovação Tecnológica em Tratamento de Feridas é um grupo de pesquisas em enfermagem pertencente à Universidade Federal de Alagoas que se propõe a aprimorar o cuidado de enfermagem na terapêutica de feridas. Citam-se pesquisas experimentais in vitro desenvolvidas por membros deste grupo que evidenciaram a ação inibitória do óleo de coco contra Staphylococcus aureus4; a ação antimicrobiana dos extratos da Zeyheria tuberculosa contra Staphylococcus aureus e Candida albicans, justificando o uso popular da espécie5; além da comprovação de que frações da espécie Piper hayneanum tem o potencial para o desenvolvimento de um agente terapêutico para utilização em infecções tópicas, em decorrência da eficácia na cicatrização de feridas infectadas por Staphylococcus aureus e Candida albicans em ratos6.

A família Bignoniaceae é constituída por 120 gêneros e 800 espécies encontradas principalmente na América do Sul e na África. Espécies dessa família têm hábito constituído por árvores, arbustos, subarbustos, lianas e raramente ervas. Muitas destas árvores são conhecidas pelo uso industrial (Tabebuia, Paratecoma, Parmenteiera, Catalpa e Jacarandá) ou como plantas ornamentais (Jacaranda, Catalpa e Sphathodea). No Brasil, ocorrem 32 gêneros e cerca de 350 espécies, sendo esse país considerado o centro de diversificação da família7.

O relato de atividade biológica nas Bignoniaceaes brasileiras como antimalárico, antitumoral, antiviral, contra infecções e cicatrizante de feridas tem sido atribuído à presença dos seguintes metabólitos secundários como naftoquinonas, mangiferina que é uma xantona e a vários flavonoides8. Nos últimos anos tem-se verificado cada vez mais o uso de espécies da família na medicina popular.

Tabebuia roseo-alba, uma espécie da família Bignoniaceae, conhecida popularmente como ipê-branco ou ipê-do-cerrado, exibe porte variando de 7 - 16 m de altura, com tronco de 40 - 60 cm de diâmetro. É uma árvore com aplicação paisagística devido à exuberância de suas flores brancas e folhagem de densa coloração verde. Seu florescimento acontece nos meses de agosto a outubro e seus frutos amadurecem nos primeiros dias de outubro com ampla produção de semente que são disseminadas pelo vento com facilidade. Também tem aplicação em reflorestamento devido à capacidade de adaptação a terrenos secos e pedregosos. Sua madeira é moderadamente pesada, macia, lustrosa e de excelente durabilidade e é usada na construção civil para acabamentos internos9.

Uma vez que a literatura científica disponível evidencia que as plantas desta família apresentam excelente potencial para novos estudos científicos, e que podem resultar na descoberta de novos compostos de interesse terapêutico, justifica-se o estudo da espécie T. roseo-alba, com a perspectiva no controle de infecção de feridas. Diante disso, objetivou-se avaliar a atividade antimicrobiana in vitro da espécie T. roseo-alba.

MÉTODOS

Pesquisa básica, delineada nos moldes da pesquisa quantitativa e experimental, objetiva gerar novos conhecimentos. Caracteriza-se como pesquisa laboratorial in vitro, onde condições biológicas são simuladas em laboratório, para avaliar novos materiais ou métodos terapêuticos.

Obtenção do Material vegetal

Foram coletadas amostras das folhas, caule e casca do caule de T. roseo-alba, entre abril e maio de 2012, no Parque Municipal de Maceió, situado no bairro de Bebedouro (Coordenadas geográficas S 9°37’01” e O 35°48’30”). A identificação foi feita por uma botânica do Instituto do Meio Ambiente do Estado de Alagoas (IMA), exsicata do referido material encontra-se depositada no Herbário do IMA/AL, com a identificação MAC nº 22.943.

A secagem das folhas das espécies vegetais avaliadas foi realizada a sombra com ar circulante. Depois de dessecadas, as folhas foram trituradas e submetidas a um processo de maceração a frio com etanol e hexano, durante sete dias com três processos de filtração para ser concentrado em evaporador rotativo a 40 ºC e mantido em estufa banho -maria, na mesma temperatura, para evaporação do solvente residual e obtenção do extrato. No método a frio, a extração da matéria-prima vegetal é realizada em recipiente fechado, durante um período prolongado, sob agitação ocasional, remaceração, renovando-se o líquido extrator, que neste estudo utilizou-se o álcool etílico/etanol (EtOH) a 97% e hexano.

Linhagens microbianas

As linhagens microbianas utilizadas neste estudo foram padronizadas pela American Type Cell Cellection – ATCC/Manassas - VA/USA. Foram avaliadas bactérias Gram-positivas: S. aureus (ATCC 25293), S. epidermidis (ATCC 14990), E. faecalis (ATCC 29212); Gram-negativas: E. coli (ATCC 14942), P. aeruginosa (ATCC 27583), K. penomoniae (ATCC 31488) e S. entérica (ATCC 31488); e o fungo C. albicans (ATCC 10231).

Técnica da Perfuração em Ágar

A técnica de perfuração em Ágar é o meio utilizado para avaliar a atividade antimicrobiana das espécies vegetais, promovendo o contato destas com os microrganismos viáveis, objetivando assim avaliar sua sensibilidade frente à ação das amostras vegetais.

Na realização deste teste placas de Petri são forradas superficialmente com o meio estéril (Agar Müeller-Hinton para bactéria ou Sabouraud Dextrose para fungos), obtendo-se assim a camada-base. Nessas placas são colocadas cinco ponteiras invertidas a fim de confeccionar os poços. Em seguida o inóculo microbiano é preparado de acordo com a escala 0,5 de McFarland85. Em tubos de ensaio estéreis contendo 10 mL do meio de cultivo acrescenta-se 100 μL da solução microbiana, homogeneizando-os. Verte-se todo o conteúdo dos tubos de ensaio nas placas de Petri com as cinco ponteiras de 7 mm invertidas em pontos equidistantes. Após endurecimento retiram-se as ponteiras, ficando as placas com cinco poços.

A amostra teste utilizada foi a 10%, preparada com 100 mg do extrato bruto acrescido de 1 mL de SF a 0,9% e 2 gotas de cremofor. Coloca-se 50 μL desta amostra teste dentro de cada poço previamente confeccionado. O controle negativo foi 1 mL de SF 0,9% com 2 gotas de cremofor utilizados para solubilizar o extrato e como controle positivo os antibióticos Ceftriaxona e Ciprofloxacina e o antifúngico Miconazol. As placas de Petri inoculadas e com as substâncias testadas foram incubadas em estufa a 36 ºC por 24 h para bactérias e 28 ºC por 48 h para o fungo. Após este período medem-se as zonas de inibição com o auxílio de paquímetro manual10.

Os ensaios foram baseados no critério relacionado ao valor do diâmetro do halo de inibição, proposto por Ayres e Cols. (2008)11, considerado na maior concentração utilizada. Assim, quando o valor do diâmetro do halo de inibição foi inferior a 9 mm, as amostras foram consideradas inativas; entre 9-14 mm, parcialmente ativas; maior que 14 e inferior a 17 mm, ativas; e maior que 17 mm, muito ativas.

RESULTADOS

As amostras testadas demonstraram atividade antimicrobiana em quatro dos oito microrganismos avaliados no teste de perfuração em Ágar. Três delas Gram-positivas: S. aureus, S. epidermidis, E. feacalis; e uma Gram-negativa: K. pneumoniae.

Quanto à avaliação da atividade antibacteriana das amostras de T. roseo-alba frente à cepa de S. aureus, os extratos hexânico da folha e o extrato etanólico do caule apresentaram atividade inibitória classificada como moderada sobre o crescimento microbiano, ambas com halos de inibição de 13 mm (Tabela 1).

Das amostras submetidas frente à cepa de S. epidermidis, apenas o extrato etanólico do caule inibiu o crescimento da cepa de forma moderada, apresentando um halo e inibição de 14 mm. Os extratos etanólicos da folha e do caule e o extrato hexânico da folha evidenciaram atividade inibitória moderada frente à cepa de E. faecalis.

A atividade inibitória frente ao único microrganismo Gram -negativo foi considerada moderada, evidenciada apenas pelos extratos etanólicos do caule e da casca do caule, com halos de inibição de 10 e 11 mm, respectivamente. As amostras vegetais não foram sensíveis às linhagens de P. aeruginosa, E. coli, S. entérica e ao fungo C. albicans.

TABELA 1. Atividade antibacteriana dos extratos etanólicos e hexânicos avaliados. Maceió/AL, 2014.

DISCUSSÃO

As linhagens que foram moderadamente sensíveis aos extratos avaliados configuraram-se em três bactérias Gram-positivas: S. aureus, S. epidermidis, E. faecalis; e uma Gram-negativa: K. pneumoniae.

O S. aureus é considerado como um dos mais importantes agentes etiológicos de processos infecciosos, pois abrangem desde lesões superficiais até severas infecções sistêmicas no homem e em outros animais. Sendo por isso, considerada a espécie mais virulenta do gênero Staphylococcus, apresentando inúmeros fatores contribuintes, tais como toxinas; enzimas e proteínas associadas à parede celular, mediados por genes plasmidiais ou cromossomiais, que combinados conduzem a invasão tecidual e a sobrevivência no sítio infeccioso; além da grande resistência adquirida aos mais diversos antimicrobianos12.

Diante disso, ensaios que tem o objetivo de avaliar a atividade bactericida frente cepa de S. aureus, com extratos de espécies de plantas, têm apresentado resultados promissores que requerem maior aprofundamento. Promovendo assim, possíveis campos de desenvolvimento de novas estratégias no tratamento de infecções promovidas por microrganismos oportunistas, emergentes ou remergentes, incluindo amostras multirresistentes13. Sendo assim, os resultados obtidos nesta pesquisa são promissores no desenvolvimento dessas novas estratégias, necessitando para isso da análise minuciosa das suas atividades biológicas.

A cepa de S. epidermidis não apresenta um grande arsenal de enzimas e toxinas e, por esse motivo, o curso das infecções se caracterizam por subagudização ou mesmo cronificação. O sucesso deste microrganismo como patógeno relaciona-se à sua capacidade de aderir a superfícies de polímeros, formando biofilmes que caracterizamse como importantes fatores de virulência, reduzem a resposta imune e interferem com os mecanismos de defesa do hospedeiro14.

Durante as últimas duas décadas o S. epidermidis e os outros Staphylococcus coagulase negativa têm emergido como causas importantes de infecção hospitalar. Além disso, são habitualmente resistentes a múltiplos antibióticos, sendo que o S. epidermidis é o protótipo do grupo que pode servir como reservatório de genes resistentes, com potencial transferência para os S. aureus15

Diante disso, os resultados encontrados, frente ao microrganismo S. epidermidis, são promissores, visto que a química dos produtos naturais representa uma das principais alternativas de sucesso no tratamento de infecções, fundamental para a descoberta de fármacos inovadores. O achado revelou um promissor potencial antimicrobiano referente aos extratos etanólicos do caule e da casca do caule frente à linhagem de K. pneumoniae. Fato importante é que apesar de existir uma variedade de antibióticos para o tratamento das infecções pneumocócicas, o recente aumento dos níveis de resistência e a disseminação internacional de estirpes resistentes aos principais antibióticos utilizados na terapêutica, nomeadamente beta-lactâmicos e macrólidos, têm dificultado o tratamento destas infecções16.

Todas as amostras submetidas aos ensaios antibacterianos frente às linhagens P. aeruginosa, E. coli, S. entérica e ao fungo C. albicans foram consideradas inativas, uma vez que não inibiram o crescimento da bactéria, com halo de inibição igual a 0,0 mm. Estes resultados corroboram com outro estudo que refere que a baixa ou mesmo ausente atividade inibitória encontrada nos testes antibacterianos pode estar relacionada com as diferenças estruturais que as bactérias Gram-negativas apresentam em relação às Gram-positivas. E isto pode dificultar a ação dos componentes bioativos dos produtos vegetais investigados. Além disso, às substâncias potencialmente ativas podem estar presentes em concentrações muito baixas, ou mesmo que realmente estes extratos não apresentem nenhum metabólito ativo sobre estas bactérias11.

Isto se deve a diferença química e morfológica da parede celular destas bactérias. A parede celular das Gram-negativas é constituída por uma ou mais camadas semipermeáveis de peptídeoglicanos, de aspecto complexo, e ainda uma membrana externa, onde se encontram os lipopolissacarídeos (LPSs), fosfolípideos e poros por onde substâncias polares ou de baixo peso molecular conseguem entrar mais facilmente. Os LPSs servem como uma barreira eficiente contra a rápida penetração de antibióticos lipofílicos e impedem a entrada de substâncias hidrofílicas, conferindo resistência natural a estas cepas14.

Ao contrário, as Gram-positivas possuem apenas uma única camada de peptídeoglicanos, espessa e permeável, organizada de forma homogênea que usualmente facilita a rápida penetração dos fármacos antimicrobianos14. Portanto, as Gram-positivas apresentam parede celular quimicamente menos complexa, menor teor lipídico e ausência de membrana celular externa em comparação com as Gram-negativas11.

As plantas Bignoniaceae são importantes para os seus componentes bioativos relatados e atividades farmacológicas diferentes. O Lapachol é uma naftoquinona encontrada em muitas espécies vegetais relacionados à família Bignoniaceae, especificamente aquelas do gênero Tabebuia (T. impetiginosa, T. ochracea), dotadas de qualidades antimicrobianas que lhe permitem combater bactérias, fungos, vírus, inflamações, e mais importante, é agente de combate ao câncer17. O que justifica os resultados encontrados nesta pesquisa.

Nos últimos anos tem-se verificado cada vez mais o uso de espécies da família na medicina, como nos estudos de Agra et al. (2007, 2008)18 os quais detectaram que o macerado das folhas de Jacaranda caroba DC. Em aguardente pode ser aplicado externamente como cicatrizante e contra úlceras. Já se observou, também, atividade bactericida e fungicida19 e antitumoral20 de substâncias presentes no cerne e na casca de outras espécies do gênero Tabebuia (Handroanthus).

CONCLUSÃO

Os resultados encontrados comprovaram o promissor potencial antimicrobiano da espécie T. roseo-alba. Visto que a química dos produtos naturais representa uma das principais alternativas de sucesso no tratamento de infecções, fundamental para a descoberta de fármacos inovadores. Diante disso, estes achados estimulam o desenvolvimento de novas pesquisas com abordagem experimental e clínica desta espécie, com a perspectiva no controle de infecção.

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