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Caracterização do estado de higiene e alterações nos pés de pacientes acometidos por diabetes Mellitus

Characterization of the state of health and changes in feet of patients suffering from diabetes Mellitus
  • Jeferson Caetano Silva
  • Maria Helena Barros Araújo Luz
  • Alyne Leal de Alencar Luz
  • Maria do Livramento Fortes Figueiredo
  • Fernanda Valéria Silva Dantas Avelino
  • Nancy Ney Leite de Araújo Loiola Batista

Monografia Intitulada: Avaliação de Risco do Pé Diabético em Pacientes acometidos por Diabetes Mellitus. Autoria: Alécio de Araújo Nunes. Apresentada e defendida, em Janeiro/2011, ao Programa de Graduação em Enfermagem da Universidade Federal do Piauí.

Caracterização do estado de higiene e alterações nos pés de pacientes acometidos por diabetes Mellitus

RESUMO

RESUMO: Introdução: O Diabetes Mellitus configura-se atualmente como uma epidemia mundial e tende a crescer mais rapidamente com o envelhecimento da população e o controle metabólico deficiente. Objetivo: Caracterizar o estado de higiene e as alterações encontradas nos pés de pacientes com Diabetes Mellitus. Método: Trata-se de um estudo descritivo, com abordagem quantitativa, realizado com 117 pacientes diabéticos em uma Unidade Básica de Saúde da cidade de Teresina-PI, no período de Fevereiro a Abril de 2011. Os dados foram coletados mediante entrevista e exame físico para avaliação de risco do pé diabético. Foi realizada análise estatística descritiva das variáveis estudadas. Resultados: A maioria dos pacientes (58,1%) apresentou higiene insatisfatória dos pés e alterações dermatológicas como: calos (67,5%), fissuras (44,4%) e micoses (16,2%); alterações neuropáticas (46,2%); Doença Vascular Periférica (18,0%) e amputação prévia (1,7%). Conclusão: Esse estudo ressalta a importância de se intensificar as ações de rastreamento e detecção precoce de alterações podais, a fim de prevenir complicações crônicas da doença e, principalmente amputações, para melhorar a qualidade de vida dos diabéticos.

Descritores: Diabetes mellitus, Pé diabético, Fatores de risco.


SUMMARY - Introduction: Diabetes mellitus is currently configured as a global epidemic and tends to grow more rapidly with the aging population and poor metabolic control. Objective: To characterize the state of hygiene and the changes found in the feet of patients with diabetes mellitus. Method: This is a descriptive study with a quantitative approach, performed with 117 diabetic patients in a Basic Health Unit of Teresina-PI in the period February to April 2011. Data were collected by interview and physical examination to assess risk diabetic foot. Descriptive statistical analysis of the variables was performed. Results: Most patients (58,1%) had poor foot hygiene and skin changes such as calluses (67,5%), crack (44,4%) and mycosis (16,2%); neuropathic changes (46, 2%), Peripheral Vascular Disease (18,0%) and previous amputation (1,7%). Conclusion: This study highlights the importance of intensifying the actions of screening and early detection podais changes in order to prevent chronic disease complications and amputations mainly to improve the quality of life of diabetics.

Descriptores: Diabetes mellitus, Diabetic Foot; Risk Factors.

INTRODUÇÃO

O Diabetes Mellitus (DM) configura-se atualmente como uma epidemia mundial, por se tratar de uma doença de crescente prevalência, que atinge as pessoas nas mais variadas faixas etárias e condições socioeconômicas. O envelhecimento da população e aspectos relacionados à urbanização e uso de tecnologias, no cotidiano da vida contemporânea, tem contribuído para a adoção de estilos de vida pouco saudáveis como sedentarismo, dieta inadequada e obesidade que são os grandes responsáveis pelo aumento da incidência do diabetes em todo o mundo.¹

No Brasil, dados da vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico (Vigitel), de 2011, apontam que na população adulta, acima de 18 anos, o percentual de pacientes diabéticos é de 5,6%, sendo 5,2% entre homens e de 6,0% entre mulheres.²

O DM, que tende a crescer mais rapidamente com o envelhecimento da população e o controle metabólico deficiente, se constitui em fator de risco para o desenvolvimento de diversas complicações microvasculares e macrovasculares, que aumentam a morbimortalidade associada a essa doença e reduz a qualidade de vida dos seus portadores.3

As complicações crônicas do DM, a longo prazo, podem afetar quase todos os sistemas orgânicos do indivíduo, e as principais manifestações crônicas são a retinopatia diabética, a neuropatia, nefropatia e os problemas cardiovasculares.4 É importante ressaltar que o surgimento dessas complicações, associadas ao comprometimento das fibras nervosas, sensoriais, autônomas e motoras contribuem consideravelmente para o surgimento de úlceras em membros inferiores e, consequentemente, têm como resultado o pé diabético, uma das complicações mais sérias e dispendiosas do DM.

O Pé Diabético é uma complicação crônica do diabetes mellitus que se caracteriza por Infecção, ulceração e ou destruição dos tecidos profundos associadas a anormalidades neurológicas e vários graus de doença vascular periférica nos membros inferiores.5

Estudos clínicos controlados e randomizados demonstram que aproximadamente 40 a 60% de todas as amputações não traumáticas dos membros inferiores são realizadas em pacientes com diabetes e o risco de ulceração é diretamente proporcional ao número de fatores de risco ou complicações associadas. Para clientes com diagnóstico de neuropatia periférica, o risco de ulceração aumenta 1,7 vezes, subindo para 12 vezes em pessoas com neuropatia e limitação da mobilidade articular ou deformidade nos pés e, para 36, nas pessoas com neuropatia, deformidade e úlcera ou amputação prévia, quando comparadas às pessoas sem fatores de risco.6

Segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS), aproximadamente 70% das amputações em membros inferiores em todo o mundo ocorrem em pacientes diabéticos, devido ao surgimento de ulcerações nos pés e a falta de tratamento adequado.7 No Brasil, estima-se que a prevalência do pé diabético nos pacientes acometidos pelo DM seja de 5% a 10%, sendo que 85% dos problemas que atingem os pés dos diabéticos são totalmente passíveis de prevenção.8

Das amputações realizadas em hospitais gerais do Brasil, 66,3% ocorrem em pacientes diabéticos, o que em muitos casos provocam comprometimento na qualidade de vida de diversas pessoas. O custo para o tratamento e reabilitação dos clientes amputados é bastante oneroso, o que resulta em elevados gastos pelos governos no sistema de saúde.9

Essa situação exige um acompanhamento contínuo das condições de saúde da pessoa com diabetes pelos profissionais de saúde e nesse contexto destaca-se a consulta de enfermagem, que é uma atribuição específica do enfermeiro e que deve atender às necessidades de saúde dos pacientes de forma integral e resolutiva.

A identificação precoce dos casos de diabetes, o acompanhamento e o controle do DM, no âmbito da atenção básica, evita o agravamento dessa patologia e o surgimento de complicações, reduzindo o número de internações hospitalares, bem como a mortalidade por doenças cardiovasculares, entre outras.10

No momento da avaliação dos pés dos pacientes diabéticos, deve-se observar história de úlcera e amputação prévia, sintomas de doença artérial periférica, dificuldades físicas e visuais no cuidado com os pés, deformidades nos pés, evidência visual de neuropatia. O exame físico dos pés, em geral, conforme preconiza a Política Nacional de Atenção Integral à Hipertensão Arterial e ao Diabetes Mellitus, deve ser realizado anualmente, mas para os pacientes que apresentam um risco aumentado para o desenvolvimento de problemas nos pés, esse exame deve ser realizado com maior freqüência.¹

É importante que as orientações sobre os cuidados dos pés com os pacientes diabéticos iniciem no momento do diagnóstico e sejam continuados no decorrer do tratamento. Os clientes devem ser orientados a inspecionar os pés e observar quanto à presença de rubor, bolhas, fissuras, calos, ulcerações, alterações na temperatura cutânea e surgimento de alterações nos pés, pois a detecção precoce do pé em risco constitui o primeiro passo no combate das amputações evitáveis nos pacientes diabéticos.

Desse modo, a realização de exames e testes nos pés dos clientes diabéticos para a detecção do pé em risco e o tratamento adequado e precoce são medidas de fundamental importância no acompanhamento dos portadores de DM, e têm sido descritas como ações relevantes que possibilitam a participação ativa do paciente no seu autocuidado, minimizando ou evitando o risco de ulcerações e amputações dos membros inferiores.

Neste sentido, o presente estudo tem como objetivo caracterizar o estado de higiene e alterações encontradas nos pés de pacientes com Diabetes mellitus atendidos em uma Unidade Básica de Saúde da cidade de Teresina-PI.

MÉTODOS

Trata-se de um estudo exploratório descritivo, com abordagem quantitativa, realizado em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), Teresina-PI, cuja amostra foi composta por 117 diabéticos, devidamente cadastrados e acompanhados por Equipes de Saúde da Família (ESF). Os critérios para seleção e inclusão dos sujeitos foram: diagnóstico de DM há mais de 5 anos, com idade igual ou superior a 20 anos, de ambos os sexos e concordar em participar da pesquisa, com assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. O projeto desta pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Federal do Piauí (CEP/UFPI) Sob o n° 0372.0.045.000-10, em 14/01/2011.

Os dados foram coletados no período de fevereiro a abril de 2011 por meio de entrevista e exame físico dos pés, utilizando-se um instrumento elaborado pelos pesquisadores, abrangendo os aspectos sociodemográficos dos pacientes, caracterização do estado de higiene e alterações encontradas nos pés dos pacientes diabéticos.

Após a coleta dos dados, procedeu-se a análise estatística, sendo os resultados apresentados em tabelas, com números absolutos e percentuais.

RESULTADOS

Dos 117 participantes do estudo, verificou-se que em relação aos aspectos sócio demográficos, a maioria (66,6%) era do sexo feminino, com predomínio da faixa etária entre 40 a 59 anos (68,4%), seguidos dos pacientes com 60 anos ou mais (31,60%) e nenhum de 20 a 39 anos. Quanto à escolaridade, predominou o ensino fundamental incompleto (41,8%), seguido de analfabetos (28,2%) e nenhum tinha nível superior. A maioria (52,1%) relatou uma renda familiar de 1 a 2 salários mínimos e apenas 9,4% referiu ter uma renda familiar igual ou superior a 03 (três) salários mínimos, conforme se observa na tabela 1.

Dentre as alterações podais associadas ao Diabetes Mellitus, verificou-se que os calos estiveram presentes em 67,5% dos casos, seguidos por fissuras (44,4%), micoses (16,2%) e úlceras (4,2%). Assim como, observou-se uma maior proporção de pacientes com sinal indicativo de neuropatia (46,2%), seguido por sinal de doença vascular periférica (18%) e amputação prévia presente em 1,7% dos participantes, conforme encontram-se apresentados na tabela 2.

No que se refere ao estado de higiene dos pés dos pacientes diabéticos, a maioria (58,1%) apresentou uma higiene insatisfatória.

DISCUSSÃO

Os resultados evidenciaram que há uma predominância do sexo feminino (66,6%), assemelhando-se a achados em outros estudos, como o de Vigo et al9, o qual afirma que a predominância do sexo feminino pode ser explicada pela maior representatividade da mulher na população em geral, que aumenta com o avançar da idade, assim como estarem mais presentes nos serviços de saúde em relação à população masculina.

Quanto à faixa etária, constatou-se que 46,2% encontramse na faixa etária entre 50 a 59 anos, seguidos de pessoas com idade igual ou superior a 60 anos (31,6%), valores semelhantes aos encontrados no estudo realizado por Amaral e Tavares11, no qual se observou que 50% dos diabéticos avaliados na pesquisa tinham idade superior a 60 anos. Salienta-se que o Diabetes mellitus tipo II acomete, principalmente, indivíduos a partir dos 40 anos de idade e que aumenta a incidência proporcionalmente, com o avançar da idade.12

No que se refere à escolaridade, a maior parte dos pacientes se concentrou nas categorias de ensino fundamental incompleto (41,8%) e analfabetos (28,2%). Nos participantes do estudo não houve nenhum com formação superior. O conhecimento da variável escolaridade é importante, pois segundo Vigo et al9, a baixa escolaridade é fator agravante para o tratamento dos pacientes diabéticos, pois pessoas que não tiveram acesso à educação tem maiores chances de desenvolver complicações em membros inferiores. Isso se deve à limitação ao acesso de informações sobre a doença ou ao comprometimento das habilidades de leitura, escrita e compreensão das atividades de educação para o autocuidado preventivo. Logo, as orientações repassadas durante as consultas médicas e de enfermagem devem ser de fácil compreensão, para que se tenha uma maior adesão dos clientes diabéticos ao tratamento.

Analisando a renda familiar, observou-se que a maioria (52,1%) possuía renda de 1 a 2 salários mínimos, o que corrobora com dados já evidenciados na literatura, como o estudo realizado por Rodrigues, Szymaniak e Sobrinho12, no qual 49% dos pacientes diabéticos atendidos em uma unidade básica de saúde, na cidade de Planura-MG, relataram ter renda de até dois salários mínimos. O fato dos pacientes apresentarem um baixo poder aquisitivo pode representar um entrave para o tratamento: toda a medicação e o atendimento médico-hospitalar nos níveis primário, secundário e terciário ficam a cargo do Sistema Único de Saúde (SUS) e em caso de falha em algum nível de atendimento ao paciente, este muitas vezes não poderá arcar com as despesas dos procedimentos, assim como usufruir da diversidade de recursos disponíveis para maior bem-estar, conforto, prevenção e tratamento.

Quanto ao cuidado com os pés, no tocante à higiene, verificou-se que 58,1% dos pacientes apresentou uma higiene insatisfatória, assemelhando-se a um estudo realizado por Vigo et al9, no qual a maioria dos participantes da pesquisa (73,3%) possuíam uma higiene inadequada com os pés. A falta de higiene e de preparo para a realização de cuidados básicos com os pés, como: lavar, secar bem entre os dedos, realizar corte de unhas e observar alterações, podem contribuir para o surgimento de complicações como úlcera e infecção. Desse modo, a higiene insatisfatória, somada às alterações dermatológicas podem resultar no desencadeamento de lesões nos pés e interferir no processo de cicatrização13 que, podem evoluir e culminar em amputação, como se observou nesta pesquisa.

Em relação às alterações dermatológicas, 67,5% da amostra estudada apresentavam calos. Tais dados se assemelham ao estudo realizado por Pace et al13, em que a maioria (60,7%) dos diabéticos possuíam calos nos pés, fator que contribui para o surgimento de lesões maiores. As fissuras foram encontradas em 44,4% dos diabéticos, assemelhando-se a achados encontrados em estudos como o de Calsolari et al14, no qual 37,6% também, apresentaram fissuras nos pés. A presença de micoses foi observada em 16,2% dos participantes, no entanto valores mais elevados foram observados em estudo realizado por Calsolari et al14, no qual 30% dos diabéticos apresentaram micoses nos pés. As micoses são condições agravantes e contribuem, consideravelmente, com a progressão para infecção.

Com as condições dermatológicas dos pés comprometidas, qualquer dano vascular ou neurológico pode evoluir até instalarse uma lesão grave, que pode atingir os tecidos mais profundos e, consequentemente, ocasionar uma ulceração podal.9 As alterações neuropáticas sensitivas, foram encontradas em 46,2% dos participantes, resultado similar ao encontrado em uma pesquisa realizada por Laurindo et al15, em que 50% dos clientes diabéticos apresentaram diminuição da sensibilidade nos pés, que predispõe a trauma e lesões despercebidas e não valorizadas pelo paciente. A neuropatia pode ser justificada pelo mau controle glicêmico e constitui uma das principais causas de úlcera nos pés de pessoas com Diabetes mellitus, estando presente em mais de 50% das pessoas com a doença, na idade acima de 60 anos.16

Quanto à presença de Doença Vascular Periférica, 18,0% dos participantes apresentaram sinais característicos e pulsação pediosa diminuída, porém essa porcentagem se mostra bastante inferor e divergente do encontrado em pesquisa realizada por Rocha, Zanetti e Santos, na qual 30,9% dos pacientes diabéticos avaliados estavam acometidos por D.V.P.

A Doença Vascular Periférica observada pode ocorrer devido à intensidade e ao tempo de exposição à hiperglicemia. Nessa, ocorrem lesões estruturais do endotélio vascular de pequenos e grandes vasos, que culminam em alterações vasculares presentes no Diabetes mellitus.17 A neuropatia em associação à D.V.P contribui de maneira intensa para o surgimento de lesões nos pés, que pode ter como consequência mais grave a amputação parcial ou total do membro inferior.7

Entre os participantes do estudo, 4,2% apresentavam feridas, valor próximo ao encontrado por Laurindo et al15, no qual 5% dos pacientes diabéticos apresentavam feridas nos pés, no momento do exame físico. No tocante à amputação prévia, agravo encontrado em 1,7% dos participantes mostra-se inferior ao estudo realizado por Laurindo et al15, no qual 4% dos pacientes diabéticos já haviam sofrido amputação de alguma estrutura dos membros inferiores. A presença de feridas aumenta o risco para infecções e constitui fator determinante para o agravamento das lesões, podendo evoluir para amputação. Além disso, pessoas com diagnóstico de Diabetes mellitus que já sofreram amputação, tem maiores chances de sofrerem outras amputações no futuro16, o que certamente traz grandes prejuízos à saúde, capacidade funcional e qualidade de vida do indivíduo.

CONCLUSÃO

O presente estudo aponta para um perfil característico de pessoas acometidas por DM, predominantemente, do sexo feminino, a partir dos 40 anos e idosas, com precárias condições socioeconômicas relacionadas à baixa escolaridade e renda familiar. Situação na qual tornam-se geralmente, susceptíveis ao surgimento de alterações nos pés, fator de risco associado à fisiopatologia da própria doença e condução terapêutica inadequada, o que é potencializado pela negligência de cuidados imprescindíveis na manutenção da higiene, observação sistemática e periódica no sentido da promoção da integridade da pele, prevenção de traumas, identificação precoce de alterações e lesões assim como, a busca de imediata de tratamento eficaz.

A higiene insatisfatória e alterações da vascularização e sensibilidade dos pés, resultam em condições predisponentes e determinantes para desenvolverem alguma complicação nos pés, conforme mostram os resultados apresentados, que se aproximam aos encontrados em outros estudos referenciados que, abordam essa temática.

O trabalho demonstra uma necessidade de maior intensificação das ações em saúde que visem o rastreamento e a detecção precoce das complicações crônicas do DM, assim como a promoção da educação em saúde e fortalecimento da Atenção Básica à população diabética, com assistência segura e de qualidade, de sistematização do cuidado, focado na prevenção.

Destaca-se igualmente, a necessidade de outros estudos, a fim de ampliar e aprofundar o conhecimento relacionado à dados estatísticas sobre esta problemática e os resultados da implementação de ações de prevenção dessas complicações do Diabetes mellitus, para melhor subsidiar as intervenções de enfermagem realizadas nesse cuidado.

Assim, espera-se que este estudo possa contribuir para uma melhor abordagem e direcionamento das ações, subsidiando a atuação dos profissionais de saúde no planejamento assistencial que inclua a avaliação periódica e sistemática dos pés dos pacientes diabéticos. Ressalta-se a importância de levar informação em saúde acerca dos cuidados preventivos do surgimento de ulcerações nos pés, concomitante a uma assistência de qualidade, para inclusive tratar de maneira adequada as lesões podais. Esse constitui um dos aspectos fundamentais para evitar o pé diabético, as mutilações precoces e progressivas e, com isso, garantir e melhorar a qualidade de vida dos diabéticos.

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