Revista  Enfermagem Atual

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O uso do silicone suave na pele do neonato

The use of soft silicone skin of the newborn
  • LUCIANA MENDES
  • ROSEMARY TELLES
  • SYLVANIA ETTINGER
  • TÂNIA BARBOSA

RESUMO

Durante o período neonatal preservar a integridade da pele do neonato é um fator importante no cuidado de enfermagem. A barreira entre o meio interno e o ambiente é uma das funções mais importantes da pele prevenindo desidratação através da perda da água corporal, infecções sistêmicas através de invasão de microorganismos e produção quanto a traumas. Objetivamos nesse estudo demonstrar a utilização do silicone suave e o hidrogel hipertônico no processo de cicatrização, alívio da dor e diminuição do trauma na pele do neonato. Foi realizado um acompanhamento clínico com um recém-nascido em uma UTI Neonatal privada, apresentando uma deiscência abdominal extensa proveniente da confecção de uma gastrostomia. Sugerimos que o silicone suave por não remover as células epidérmicas e minimizar traumas à pele; no neonato contribui para acelerar o processo de cicatrização. Sendo assim, indicamos o mesmo nos protocolos de prevenção e tratamento de feridas em unidades de Neonatologia.

Palavras-chave: Neonato; Pele; Lesões; Silicone Suave; Protocolo.

Abstract: During the per Odo neonatal preserve the integrity of the skin of the newborn an important factor in nursing care. The barrier between the internal milieu and the environment one of fun s most important in preventing skin dehydration you through s loss of water body infection es syst micas through s encroachment of microorganisms and the production how much trauma. Our objective in this study demonstrate the use of soft silicone hydrogel and hyperthyroidism Single in the process of healing the al Decreases pain and violence of trauma to the skin of the newborn. We conducted a follow-up cl with a single rec M-born private in a NICU, with a deisc SCIENCE from the extensive abdominal Confec To a gastrostomy. We suggest that the soft silicone by n Remove the c Epid squid Rmic and minimize trauma skin; neonates contributed to accelerate the healing process o. Therefore we recommend the same preventive protocols and treatment of wounds in a neonatal unit.

Keywords: Neonate; Skin; Les Es; Soft Silicone; Protocol.

INTRODUÇÃO

A pele do neonato sofre um progressivo processo de adaptação ao ambiente extrauterino o que exige cuidados especiais. Ela oferece funções específicas e é caracterizada por ser sensível fina e frágil; ¹ A preservação da integridade da pele é um aspecto importante do cuidado de enfermagem durante o período neonatal. Cerca de 80% dos recém-nascidos (RNs) que nascem prematuramente desenvolvem alguma injúria na pele até o primeiro mês de vida e aproximadamente 25% de todos os pré-termos e de baixo peso, terão ao menos um episódio de sepse até o 3º dia de vida, sendo a pele a principal porta de entrada.³ Nesse sentido, afirmamos que, por causa da maior sensibilidade e fragilidade, os cuidados com a pele do RNPT têm como objetivos a serem alcançados, a manutenção da integridade da pele, prevenção de injúria física, química e de infecções,diminuição da perda insensível de água, estabilidade da temperatura e proteção da absorção de agentes tópicos.² É neste contexto, e como principais prestadores de cuidado ao recém-nascido, que os enfermeiros assumem um papel primordial tornando um desafio, manter a integridade da pele e minimizar as complicações decorrentes de possíveis lesões.¹.Com isso esse estudo tem o objetivo de mostrar a utilização do silicone suave no processo de cicatrização, alívio da dor e diminuição do trauma na pele do neonato.

DESCRIÇÃO DO CASO

As placas adesivas utilizados nos neonatos em terapia intensiva neonatal aderem-se à pele, chegando a arrancar as camadas superficiais ou mesmo toda a epiderme ao serem removidos. Considerando os desafios enfrentados no dia-a-dia do cuidado com o neonato, e no intuito de oferecer a diminuição do trauma e da dor, principalmente nas trocas do curativo, fatores que sempre preocupam os profissionais de enfermagem, foi desenvolvido o acompanhamento com silicone suave na unidade de neonatologia A tecnologia de silicone suave absorve o exsudato, mantém um ambiente úmido na ferida, sela os rebordos, e impede a fuga do exsudato para cima da pele circundante, minimizando o risco de maceração; eles podem ser facilmente retirados sem causar dor, desconforto ou danos a lesão. Desse modo foi realizado um estudo de caso com a RNT, AIG. M.E.D.A.no 39ºdia de internação na UTI neo de um hospital privado na cidade de Salvador, com histórico de asfixia perinatal, e crises convulsivas ao nascer, nescessitou de reanimação prolongada, ficando um longo período entubada; em RM do crânio foi diagnosticado uma atrofia cerebral, fez uso da medicação tegretol. A RNT não apresentou correlação sucçãodeglutição, sendo necessária a confecção de uma gastrostomia. Posteriormente a confecção houve a evolução de uma deiscência abdominal, extensa,lesão exsudativa, com pontos de necrose próximo as bordas da ferida, hipergranulação em bordas e dermatite perilesional importante na região abdominal; realizamos uma criteriosa avaliação, sendo indicada cobertura com silicone suave para evitar o trauma, prevenir os riscos de maceração e minimizar a dor; e o hidrogel hipertônico para ser utilizado em áreas de necrose. Iniciamos em 18 de fevereiro de 2011 o tratamento com mepilex (silicone suave) onde observamos que o mesmo atuou como uma barreira, evitando o contado com o exsudato, promovendo uma melhora incontestável da pele perilesional, sem remoção das células epidérmicas, observando uma importante evolução com avanço no processo de cicatrização. Na área com necrose utilizamos o hidrogel (hypergel), sendo feito o procedimento de escarificação da pele, com o cuidado na escolha da cobertura para evitar a absorção do gel; com o silicone suave alcançamos a possibilidade de um monitoramento frequente da área, evitando possíveis sinais de complicação. Na primeira troca ocorreu uma melhora significativa da lesão. Ainda que seja um curativo aderente o mepilex não causou danos a pele do neonato após a remoção e impediu que o exudato entrasse em contato com a região perilesional evitando a maceração. A troca foi realizada após 48hs e as demais a cada 72 h. Na terceira troca, foi suspenso o hypergel e optamos pelo curativo mepilex border (silicone suave, com cinco camadas) para manter um controle do exsudato na pele evitando o excesso de umidade. Constatamos que após a inserção do curativo ocorreu à contração de margens, e diminuição de mensuração da lesão; sendo importante ressaltar que durante as trocas dos curativos a RNT permanecia dormindo sem expressar nenhuma queixa álgica. Na quinta e última troca havia grande área de tecido de granulação com evidente reparação tecidual e áreas epitelizadas, sendo programada a sua alta imediata no dia 28 de fevereiro de 2011.

DISCUSSÃO

Recomendamos em unidades de neonatologia o uso do silicone suave; tecnologia de adesivos suave desenvolvida em resposta há dois fatores que interferem diretamente no processo de cicatrização de feridas e que causam grande desconforto: a dor e o trauma. As coberturas de silicone não aderem a ferida, elas aderem suavemente apenas a pele perilesional, melhora a adaptabilidade e promove conforto,contribuindo para diminuir com os agravos e riscos inerentes provocados pelo cuidado da pele do neonato,promovendo a prevenção da infecção, assim como a manutenção da integridade da pele,acelerando o processo de cicatrização.Como a função de barreira cutânea é vital para o RN,os cuidados com a pele são primordiais e podem minimizar a morbimortalidade. É importante ressaltar a necessidade de observar a maturidade cutânea do neonato de acordo com as semanas de vida; a maturação da barreira da pele após parto prematuro requer em média 2 a 4 semanas e são fatores que determinam a pratica de cuidados, sendo de fundamental importância que o trauma seja evitado ou minimizado; que não ocorra a remoção da camada córnea; nesse momento evidenciamos a nescessidade de uma cobertura que permita a monitorização e manutenção da integridade da pele e proporcione uma função de barreira epidérmica; sendo essas uma das maiores qualidades da tecnologia de adesivo suave, observamos a necessidade de implantação do silicone suave nos protocolos de tratamento e prevenção voltados para pele do neonato, onde as características especificas sejam respeitadas através de uma avaliação criteriosa do curativo e cobertura que melhor atendam as necessidades e cuidados da pele do recém nascido.

Referências

1. CUNHA M.L.C.da; MENDES, E.N. W; BONILHA, A.L.Del. O cuidado com a pele do recém-nascido/Rev.Eletr.Enf.Disponivel em: http://seer.ufrgs.br/RevistaGauchadeEnfermagem/article/view/4444. Acesso: 15-09-2011.
2. Tamez RN, Silva MJP. Enfermagem na UTI neonatal: Assistência ao recém-nascido de alto risco. 2nd Ed.Rio de Janeiro;Guanabara Koogan;1999.
3. IKEZAWA MK. Prevenção de lesões na pele de recém-nascido com peso inferior a 200g assistido em unidade neonatal: estudo experimental (thesis). São Paulo: Escola Paulista de Medicina-Universidade Federal de São Paulo.
4. Andrade M M. Introdução a metodologia do trabalho cientifico: elaboração de trabalhos na graduação. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1998
5. PIZZATO, MG; DA POIAN, V.R.L. Enfermagem neonatológica. ed.Porto Alegre: D.C. Luzzatto, 1988.
6. ACADEMIA AMERICANA DE PEDIATRÍA. Normas y recomendaciones para la atención del recién nacido en hospitales a término y prematuro. Illinois: Nestlé, 1957.